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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Atividade física X Ostomia

A atividade física melhora a condição psicológica de quem tem algum tipo de deficiência e é uma forma de inclusão social. Inclusão é respeitar as diferenças individuais, considerar valores e expectativas de cada um independente da sua condição física.

O importante é se soltar, para trazer benefícios à saúde do corpo. Inclusão não é só deixar o deficiente praticar atividade física, mas sim preparar as pessoas para recebê-lo. Não é apenas avisar os funcionários de que agora existe um deficiente no local, mas sim saber que ele tem potencial.

A atividade física promove a reintegração social e auxilia na superação de barreira das pessoas ostomizadas, levando o indivíduo a descobrir que é possível, apesar das limitações físicas, ter uma vida normal e saudável.

O esporte gera muitas alterações comportamentais, morais, éticas e sócio afetivas, pois mostra que a ostomia não é sinônimo de incapacidade. Portanto, abraçar uma atividade física pode transformar o dia-a-dia de uma pessoa ostomizada, e ainda fazer bem para a saúde do corpo e da mente.

Os benefícios físicos da atividade são: Agilidade, equilíbrio, força muscular, coordenação motora, resistência física, melhora das condições organo-funcional (aparelhos circulatório, respiratório, digestório, reprodutor e excretor), velocidade, ritmo, possibilidade de acesso à prática do esporte como lazer, reabilitação e competição, promoção e encorajamento do movimento, desenvolvimento de habilidades motoras e funcionais para melhor realização das atividades de vida diária, entre outros.

E os benefícios psicológicos são: melhora da auto-estima, aumenta a integração social, redução da agressividade, estímulo à independência e autonomia, experiência com as possibilidades, potencialidades e limitações, vivência de situações de sucesso e de frustração, motivação para atividades futuras, desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas, entre outros.

É imprescindível respeitar as limitações, adequando modalidades e objetivos pessoais. Além de ser necessário respeitar todas as normas de segurança, evitando acidentes e o mais importante, estimular sempre o desenvolvimento da potencialidade individual.

Não podemos nos esquecer de que depois da cirurgia, cada pessoa recupera-se de forma diferente, então o retorno à prática esportiva dependerá da cicatrização.

Procure fazer exercícios que você goste, porém antes converse com o seu médico e educador físico.

A ostomia não deve impedir uma pessoa de praticar atividades físicas, com exceção de esportes de contato extremamente pesado, como: lutas marciais, basquete, vôlei, futebol, etc, tendo-se em vista a possibilidade de traumas na região do estoma; e de levantamentos de grandes pesos, para prevenção de hérnia. As práticas esportivas que exijam esforço da região abdominal também devem ser avaliadas por um profissional da área da médica.

E no período pós-operatório a distensão abdominal deve ser evitada para que não ocorra a retração do estoma.

Durante a prática esportiva é recomendável a utilização de um cinto ou cinta para manter a bolsa mais segura.

A prática da natação e hidroginástica pode ser feita sem nenhuma restrição, pois a bolsa e a placa são impermeáveis à água. É importante lembrar-se de que antes de nadar deve-se esvaziar a bolsa. As mulheres devem usar um maio peça única e os homens uma camiseta para evitar olhares e comentários a respeito da bolsa de colo/íleostomia.

 Referências:







sábado, 22 de outubro de 2011

Lindo depoimento de Rose Souza

Rose Souza, mulher guerreira e vitoriosa, ficou ostomizada por causa de um câncer no reto e nem por isso deixou de ser feliz...ela determinou que continuaria vivendo e fazendo tudo o que fazia antes da cirurgia...trabalhando, indo à academia, viajando...e que aproveitaria muito a vida e seria muito feliz!!! Acompanhe o seu lindo depoimento!!! 




Olá meu nome é Rose, fui convidada pela querida amiga Christiane para deixar aqui meu depoimento.
Gostaria de compartilhar um pouco do que tenho vivido desde que descobri que estava com câncer.
Laudo médico: câncer no reto
Minha reação ao receber o diagnóstico: Era como se estivesse recebendo minha sentença de morte. 
Quando o médico falou que  eu poderia fazer uma ostomia, e que essa ostomia poderia ser definitiva, foi um choque muito grande, pois não  tinha noção de como seria minha vida a partir daquele momento.
Pensei porque comigo? Sempre tive muito medo dessa doença não pronunciava  nem o nome  da mesma.
Durante todo o processo da  enfermidade, busquei diversas informações sobre o assunto na internet para me ajudar a enfrentar a doença, encontrei muitas amigas com o mesmo problema, me senti bem melhor, em compartilhar com elas aquele momento tão doloroso.
Minha família foi meu porto seguro, foram insubstituíveis, na minha luta, sem eles não conseguiria, minha família fez a diferença na minha luta.
Tudo começou assim... Meu cunhado diagnosticado com um câncer no sistema linfático ou linfoma, isso deixou eu e minha família, muito assustada, minha irmã recém-casada, travou uma luta muito grande e muito assustadora contra o linfoma do meu cunhado, minha maninha praticamente mudou para o hospital. Sofremos muito com o diagnostico, mas o que posso afirma que A LUTA FOI VENCIDA graças a Deus, ELE foi CURADO. Quando meu cunhado recebia alta no hospital eu recebia o diagnostico do meu médico que estaria com câncer no reto, fiquei apavorada, chorei muitooo. Para que todos saibam o que eu senti para uma atual prevenção foi: muitas dores nas pernas, desanimo total, eu trabalhava sentada, pensei que seria por esse motivo, mas depois meu intestino que sempre funcionava normal, travou, tomava laxantes e nada, foi ai que marquei uma consulta com um proctologista , fiz  vários exames, quando fui diagnosticada com câncer vi MEUS SONHOS acabados, me DESESPEREI, aquela notícia foi meio que BOMBASTÍCA em minha vida e de minha família, foram momentos difíceis. Eu tive fé em DEUS, fui forte e segui todas as orientações dos médicos, e com o apoio que recebi dos familiares e dos amigos, encarei o problema com coragem e FÉ  por saber que para Deus Tudo é possível. Hoje levo uma vida super saudável,  estou muito feliz e grata ao Senhor DEUS pela vitória maravilhosa. No início o câncer assustou muito, mas isto não significa sempre sofrimento e dor. Foi preciso saber lidar com a situação e ter força, mesmo que isso parecesse  impossível. Eu resolvi ir à luta, não se pode ficar chorando o tempo todo, mesmo quando se tem câncer. Resolvi que iria vencer esta batalha. Orei pedindo a Deus forças, e Ele respondeu minha oração. As palavras de ordem para quem esta nesta situação são:  Fé, Força, Coragem, Determinação e muito, muito bom humor por que a vida é bela mesmo estando nesta luta. Fiz quimioterapia, as radioterapias, submeteram-me a cirurgia dolorosa... Fiquei algumas vezes triste, mas  nunca me deixei abater. Queria deixar aqui um apelo para que todos façam exames periodicamente! Alerto que o pior de tudo é o medo! Medo de descobrir a doença. Mas saibam que uma vez diagnosticada prematuramente, a cura é total! Então, não deixem que o medo impere em suas vidas, pois para Deus, tudo é possível Tenha  em DEUS, não desista, pois cada dia é um novo dia repleto de novidades e só as conheceremos ou as veremos se estivermos dispostos a enfrentar o câncer com a vontade de viver e viver uma vida plena e abundante. Coragem para dizer ao câncer que ele é e sempre será apenas uma palavra.
Bom, quanto à ostomia, no primeiro momento provocou mudanças no estilo de minha vida, mas depois tudo se normalizou! A ostomia não me impediu de fazer nada, vou à praia, faço hidroginástica, musculação, aeróbica.... enfim faço de tudo. Mas eu que determinei que minha vida seria assim....descobri que ninguém é perfeito, e devemos respeitar as diferenças, isso é amar as pessoas como elas são. Ter uma Ostomia é ser NORMAL é NATURAL ... As diferenças das pessoas estão no preconceito, caráter, no egoísmo, inveja, superioridade, materialismo, no jeito que se trata as pessoas, nos sentimentos que se tem e como enfrentar a vida e na falta de amor pelo próximo.
Neste mundo não existe nenhum ser humano completo e perfeito.

Momentos felizes, louve a Deus. 
Momentos dolorosos, confie em Deus. 
Cada momento, agradeça a Deus. 






sábado, 15 de outubro de 2011

A companhia de parentes e amigos é essencial para a qualidade de vida do ostomizado!

Pensar em qualidade de vida leva a refletir sobre tudo aquilo que se relaciona com o grau de satisfação, felicidade e bem-estar.

Quando o diagnóstico do paciente apresenta necessidade de se realizar ostomia, acende-se uma luz vermelha e os sentimentos confusos, de medo, ansiedade, vergonha, rejeição...podem tomar conta, tanto do paciente quanto dos familiares. É nessa hora que todos precisam parar e respirar, para conseguir ponderar as medidas que serão necessárias e principalmente entender a doença, o tratamento, a cirurgia e os efeitos colaterais (no caso de tratamento com quimioterapia).

Nessa fase o paciente precisa de todo apoio dos familiares, amigos e médicos. Uma relação aberta com as pessoas mais próximas facilita a readaptação no estilo de vida. Além disso, compartilhar os anseios e sentimentos ajuda a reorganizar as idéias e mantém o psicológico forte, o que facilita a aceitação e adesão ao tratamento e à cirurgia de ostomia.

Muitas vezes, neste momento, o paciente deixa de lado o lazer e se fecha em seu mundo. Porém, o lazer é muito importante para o bem-estar físico e psíquico do ser humano, não só como fonte de prazer, mas, inclusive, para a criação e manutenção de relações sociais.

A vida cotidiana pode ser vivida normalmente pela pessoa portadora de ostomia, às vezes, com algumas restrições. Embora a condição imponha algumas limitações às atividades diárias, com a ajuda de familiares, é possível a pessoa com ostomia ter qualidade de vida. Porém, essa qualidade está fundamentada nas características pessoais, sociais e culturais da pessoa e de sua família.

É fundamental compreender as modificações que ocorrem na vida da pessoa que vive com ostomia e como ela vivencia todo este processo, para prestar um apoio mais efetivo. Com o passar do tempo a pessoa ostomizada desenvolve estratégias de enfrentamento, com as quais passa a lidar em relação aos problemas ou às alterações cotidianas ocorridas em função da ostomia.

Percebe-se que muitas vezes não há alteração em relação às atividades de lazer que são consideradas passivas, como por exemplo, cinema, TV, leituras entre outras. Porém, no que se referem às atividades consideradas “ativas”, como viajar, realizar algum tipo de esporte, o mesmo não acontece. As razões para tais restrições prendem-se com a insegurança derivada da qualidade dos dispositivos, problemas físicos, dificuldades em higienizar a bolsa, vergonha e medo de problemas gastrintestinais.

O incentivo da família e dos amigos para que o ostomizado retorne logo a sua vida social é essencial para melhorar a sua qualidade de vida, além disso, aproveitar o tempo com atividades em família e com amigos pode fazer toda a diferença durante o processo de tratamento e adaptação.

Algumas dicas podem ser úteis para aproximar a família, os amigos e a pessoa que precisa de carinho e atenção especial durante o tratamento e a fase de adaptação: Atividades ao ar livre (caminhadas leves, piquenique...o contato com a natureza e o ar puro pode ser revitalizante), passeios culturais (cinema, teatro, museu são excelentes opções para distrair), jogos de tabuleiro (xadrez, jogos de estratégia...são excelentes por estimularem o raciocínio).

Referências:

BARREIRE ,Simone G., OLIVEIRA, Olcinei A., KAZAMA, Wilma, Miako, KIMURA, SANTOS, Vera L.C.G.. Qualidade de vida de crianças ostomizadas na ótica das crianças e das mães. J. Pediatr. (Rio J.) vol.79 no.1 Porto Alegre Jan./Feb. 2003

 

BELLATO, Roseney, MARUYAMA, Sonia Ayako Tao, SILVA, Carla de Moraes, CASTRO, Phaedra. A condição crônica ostomia e as repercussões que traz
para a vida da pessoa e sua família. Cienc Cuid Saude 2007 Jan/Mar;6(1):40-50.

CASCAIS, Ana Filipa Marques Vieira, MARTINI, Jussara Gue, ALMEIDA, Paulo Jorge dos Santos. O impacto da ostomia no processo de viver humano. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2007 Jan-Mar; 16(1): 163-7.

RNIERI, André; CAVALCANTI, Bruno; CARVALHO, Mariane. Como aproveitar mais a família. Giro na medicina simples olhar. N.1. 2011 fev. 

sábado, 8 de outubro de 2011

Um lindo depoimento

Muitas vezes, por pequenos motivos, reclamamos da nossa vida, ficamos desanimados, ou até achamos que a nossa vida acabou, mas algumas pessoas nos mostram como superar os desafios, lutar pela vida,  e ser mais feliz após a realização da ostomia. Acompanhe o depoimento da Juliana.



Em 2001 me foi “apresentada” a reto colite ulcerativa... Na época tinha 21 anos, e confesso que não dei muita importância ao fato, só queria que aquele pequeno sangramento durante as evacuações acabassem.
E assim aconteceu durante 8 anos, pequenos sangramentos, constipação, tomava a medicação, e logo melhorava.
Mas foi em abril de 2009, que os sinais e sintomas da doença realmente se manifestaram, diarréia intensa, perda de peso, sangramento... mas dessa vez custou a melhorar, fiquei mais ou menos 2 meses pra me recuperar.
Mas em outubro desse mesmo ano, em uma inesquecível manhã do dia 30, acordei com uma cólica que eu nem consigo explicar a intensidade daquela dor, fui para o hospital e fui internada... e foi aí que tudo começou:
Depois de 4 dias fui para UTI... com hemorragia grave, infecção, pneumonia, foram quase 50 dias... eu não me reconhecia mais, abdome muito distendido, fiquei muito inchada por causa dos corticóides, sem alimentação V.O. (via oral), parecia que era uma situação que não tinha fim... até aquele momento, por 2 vezes meus familiares foram preparados pelos médicos que poderia acontecer o pior... quase me perderam por causa de uma pneumonia, fiquei entubada por uns 3 dias, foi “punk”... além do proctologista me acompanhando, tinha um infectologista, gastro, nutricionista, fisioterapia respiratória, tive que praticamente reaprender a andar, porque fiquei muitos dias deitada, enfim... tratamento multidisciplinar.
Mas não acabou por aí, quando todo mundo achava que eu estava me recuperando, de repente piorei, tive que ir às pressas para o centro cirúrgico. Aquele dia confesso que eu estava esgotada de tudo que estava acontecendo... pedi pra Deus que me levasse e acabasse com toda aquela situação... Mal sabia que depois de tudo aquilo é que viria a grande lição da minha vida... e por mais uma vez, minha vida foi definitivamente entregue nas mão de Deus. E enfim fui apresentada ao “tal” estoma, a bolsa de ileostomia, fui submetida a uma colectomia total, eu nem sabia que tudo isso existia, foi um choque, eu estava tão despreparada pra tudo aquilo.
Mas foi surpreendente a minha recuperação... depois da cirurgia comecei a melhorar, e depois de uns 15 dias tive alta.
Depois de 20 dias da cirurgia eu já estava trabalhando novamente; com 30 dias eu estava na praia, com 45 dias na academia (meu médico que não leia isso!!!), ou seja, Deus tampou seus ouvidos quando eu pedi aquele absurdo pra Ele, e no entanto me deu uma força de superação que eu nem imaginava que existia dentro de mim... saí daquele hospital com sede de vida... de aproveitar minuto a minuto!!!
Hoje depois de quase  2 anos, continuo muito bem, vivendo uma vida normal e sem limitações, meu médico já me “liberou” a uns 7 meses para fazer a primeira etapa da reconstrução ( a bolsa ileal em J)... mas estou esperando a coragem aparecer pra encarar mais esse desafio.
É importantíssimo eu comentar sobre o apoio que eu tive nessa minha experiência... meus pais maravilhosos, que pararam de viver a vida deles pra ficar ao meu lado naquele momento, meus irmãos e amigos, aos meus médicos ( Dr. Desidério e equipe do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos) e em especial ao meu MARIDO... ali ele mostrou o significado do que é o amor, do companheirismo, do que é amar o interior independente do que está por fora... aqueles joelhos calejaram de tanta oração!!!
Hoje sou uma pessoa muito melhor... E vivo minha condição de ostomizada sem fronteiras!!!

Obs: Eu mandei essa foto porque ela tem um significado especial... antes da minha internação eu e meu esposo estávamos programando essa viagem... era um sonho conhecer esse lugar... e quando eu estava lá na UTI meu marido me levou uma revista mostrando sobre o lugar, pra que eu planejasse nossa viagem... foi num período que eu estava muito mal... eu tinha dúvida se isso realmente seria possível... mas foi!!! E aí está meu símbolo da vitória... Cancún com direito a marquinha de biquini e tudo mais!!!

domingo, 2 de outubro de 2011

ALIMENTAÇÃO X CÂNCER

Uma das principais metas da alimentação consiste em manter o nosso organismo saudável, proporcionando melhor qualidade de vida, nos aspectos físico e mental do ser humano.
Porém, a nossa alimentação tem sido muito associada com o processo de desenvolvimento do câncer, principalmente de mama, cólon (intestino grosso), reto, próstata, esôfago e estômago.
Portanto, algumas mudanças nos nossos hábitos devem ser adotadas para nos ajudar a reduzir os riscos de desenvolver câncer, doenças cardíacas, obesidade e outras enfermidades crônicas como diabetes.
São elas:
1 - Evitar alimentos ricos em gorduras saturadas, trans e colesterol (exemplo: carnes vermelhas, frituras, bacon, presunto, salsicha, lingüiça, mortadela, etc). Consumir alimentos ricos em ômega 3 (peixes de águas salgadas e frias, como: atum, arenque, bacalhau, sardinha e salmão). Substituir a gordura animal (manteiga, banha) por gorduras monoinsaturadas, tais como azeite de oliva e óleo de canola, que aumentam o HDL-colesterol – o "bom colesterol", responsável por conduzir o colesterol para fora das artérias e, dessa forma, impedir seu acúmulo e prevenir problemas cardiovasculares.
Em relação a cânceres de mama e próstata, a ingestão de gordura pode alterar os níveis de hormônio no sangue, aumentando o risco da doença.
2 – Evitar alimentos preservados em sal (como carne-de-sol, charque e peixes salgados) e alimentos que contêm níveis significativos de nitritos e nitratos (como picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados), pois se transformam em nitrosaminas no estômago que têm ação carcinogênica potente. As agressões contínuas à mucosa gástrica, decorrentes da ação irritativa do consumo de sal, nitritos e nitratos e/ou da ingestão de alimentos em temperatura elevada, poderiam atuar como facilitadores no processo de sua invasão por Helicobacter pylori, o que geraria condições compatíveis para o desencadeamento do câncer gástrico.
3 - Adicionar menos sal na hora de cozinhar e evitar temperos industrializados, aumentar o uso de temperos como azeite, alho, cebola, salsa, cebolinha... Os vegetais do gênero Allium (como o alho, alho poró, cebola, cebolinha-verde, chalota e cebolinha) contêm alicina, que exerce ação antimutagênica, que estaria relacionada à proteção ao câncer gástrico. Além disso, estudos mostram que extrato de alho possui poder bactericida, in vitro, contra o Helicobacter pylori. Quando for consumir sal, dê preferência ao sal marinho puro, pois ele é rico em minerais essenciais à vida, como ferro e manganês, enquanto o sal de mesa refinado é pobre em nutrientes benéficos ao corpo e tóxico ao nosso organismo. Porém, não é porque ele contém sais minerais que deve ser consumido sem limites.
4 - Aumentar o consumo de alimentos integrais, frutas e vegetais (pelo menos 5 porções ao dia), acrescentar fibras e farelos aos preparos de alimentos para aumentar o consumo de fibras, pois estudos demonstram que uma alimentação pobre em fibras, com altos teores de gorduras e altos níveis calóricos (hambúrguer, batata frita, bacon etc.), está relacionada a um maior risco para o desenvolvimento de câncer de cólon e de reto, possivelmente porque, sem a ingestão de fibras, o ritmo intestinal desacelera, favorecendo uma exposição mais demorada da mucosa aos agentes cancerígenos encontrados no conteúdo intestinal. Além disso, Frutas, verduras, legumes e cereais integrais contêm nutrientes, tais como vitaminas, fibras e outros compostos, que auxiliam as defesas naturais do corpo a destruírem os carcinógenos antes que eles causem sérios danos às células.
5 – Substituir as frituras de imersão por métodos de cozimento que usam baixas temperaturas e menos gordura, como vapor, pochê, ensopado, guisado, cozido ou assado. Além disso, ao fritar, grelhar ou preparar carnes na brasa a temperaturas muito elevadas, podem ser criados compostos que aumentam o risco de câncer de estômago e coloretal. Evitar também o consumo de defumados e churrascos que são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica.
6- Diminuir a quantidade de carne vermelha, devido ao seu conteúdo de gordura saturada e colesterol.
7 - Incluir soja e seus derivados, pois a sua ação antioxidante protege o organismo contra os danos celulares que levam ao envelhecimento. Diversas pesquisas têm demonstrado que o consumo de produtos derivados da soja está associado com a redução do risco de inúmeras doenças, tais como câncer, doenças cardiovasculares, osteoporose, diabetes, mal de Alzheimer e sintomas da menopausa.
8 – Diminuir o consumo de Bebidas alcoólicas, sucos artificiais e refrigerante: o álcool é uma substância tóxica, e os sucos e bebidas artificiais contêm uma combinação de corantes químicos em sua composição, desaconselháveis à saúde. Refrigerantes do tipo cola contêm formaldeído e corantes tóxicos, além disso o gás dos refrigerantes causa gases e sensação de estufamento abdominal. Muitos dos refrigerantes diet/light contêm sacarina e/ou ciclamatos, que também são tóxicos para o fígado e, no caso do ciclamato, carcinogênico.
9 – Diminuir o consumo de açúcar
Estudos comprovam que o excesso da ingestão de açúcares e de outros carboidratos refinados pode contribuir para a ocorrência de sensibilidade à insulina, alterações no acúmulo e distribuição da gordura corporal e aumento da concentração de fatores de crescimento, o que pode promover o desenvolvimento de neoplasia.
O Câncer necessita de açúcar (glicose) e as células cancerosas utilizam uma grande quantidade de glicose. Em fato, a glicose se torna fonte de energia das células cancerosas. O consumo freqüente de açúcar e alimentos com alto teor de açúcar pode aumentar o risco de câncer pancreático, mama e coloretal pela indução freqüente da hiperglicemia, aumento da demanda de insulina, e diminuição da sensibilidade à insulina.
Quando for consumir açúcar, dê preferência ao mascavo que é mais saudável, pois contém proteínas, gordura, cálcio, fósforo, ferro, vitamina B1, B2, niacina, vitamina C, sódio, potássio, magnésio, cobre e zinco, enquanto o açúcar refinado contém 0 (zero) desses nutrientes, e ainda rouba o estoque de minerais do organismo para ser digerido e absorvido. Porém, não é porque ele contém todas essas vitaminas e esses sais minerais que deve ser consumido sem limites.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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MAGALHÃES ,Lidiane Pereira; OSHIMA ,Celina Tizuko Fujiyama; SOUZA ,Lessileia Gomes; LIMA Jacqueline Miranda de; CARVALHO ,Luciana de; FORONES,Nora Manoukian. Variação de peso, grau de escolaridade, saneamento básico, etilismo, tabagismo e hábito alimentar pregresso em pacientes com cancêr de estômago.Arq. Gastroenterol. v.45 n.2 São Paulo abr./jun. 2008
RESENDE,Ana Lúcia da Silva; MATTOS ,Inês Echenique; KOIFMAN Sergio. Dieta e câncer gástrico: aspectos históricos associados ao padrão de consumo alimentar no estado do Pará. Rev. Nutr. v.19 n.4 Campinas jul./ago. 2006.
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